O temor da direita se chama “Dinastia Bolsonaro”

Flávio nega que a mãe, Rogéria Bolsonaro, seja candidata ao Senado pelo Rio, no lugar de Cláudio Castro. Admite que será suplente de Márcio Canella, pré-candidato a senador pelo PL. Ela já foi duas vezes vereadora na Câmara carioca.
A direita acompanha os movimentos, apreensiva. A família mostra-se apaixonada pelo poder. Carlos, vereador no Rio, é pré-candidato ao Senado por Santa Catarina. Eduardo, inelegível e morando nos Estados Unidos, se anuncia como suplente do pré-candidato André Prado, do PL paulista. E a madrasta Michelle Bolsonaro deverá disputar o Senado, como representante do Distrito Federal. Os partidos de direita e centro-direita temem que, em caso de vitória de Flávio, fiquem como escudeiros da dinastia Bolsonaro, com o chefe do clã comandando o processo. É o que se ouve nos bastidores da disputa.
Para Flávio, candidato à Presidência, isso é delicado. Ele precisa parecer mais amplo que o pai, mais moderado, mais palatável para o centro. Mas, ao mesmo tempo, carrega a família inteira no tabuleiro. O resultado pode ser contraditório: tenta vender renovação, mas entrega hereditariedade política.
O risco maior é este: a direita pode até aceitar Bolsonaro como cabo eleitoral, mas aceitar ser comandada por uma dinastia é outra história. E política, como se sabe, tem aliados enquanto há perspectiva de poder dividido. Quando tudo parece ficar dentro da mesma família, começam as desconfianças. E aí o fogo apaga.

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