O clã Bolsonaro vive hoje uma disputa que vai muito além da política eleitoral. Nos bastidores do PL, cresce a percepção de que a tensão entre e já deixou de ser apenas familiar para se transformar em embate por espaço político dentro do bolsonarismo.
As duas devem disputar cargos nas eleições deste ano e o clima entre os grupos ligados a cada uma permanece carregado. Michelle consolidou influência junto à direção nacional do PL e ganhou respaldo do presidente da legenda, especialmente após divergências sobre alianças estaduais. Já Rogéria mantém forte ligação com os filhos mais velhos de Jair Bolsonaro, principalmente com, que prefere ver a mãe ocupando protagonismo político no Rio de Janeiro.
O episódio mais recente da crise ocorreu quando Michelle tentou interferir em articulações estaduais do partido e acabou criticada por integrantes do próprio núcleo bolsonarista, que a acusaram de contrariar orientações atribuídas ao ex-presidente. Rogéria, por sua vez, entrou em cena publicamente para defender os filhos e reafirmar lealdade ao ex-presidente, movimento interpretado como um recado indireto à ex-primeira-dama.
Apesar das tensões, a cúpula do PL decidiu respaldar Michelle em recentes disputas internas, ampliando ainda mais o desconforto entre alas da família Bolsonaro. Nos bastidores, comenta-se que a corrida pelo Senado no Distrito Federal e no Rio de Janeiro poderá aprofundar a rivalidade entre os dois grupos. O que antes parecia apenas uma divergência doméstica começa a ganhar contornos de disputa por herança política dentro do bolsonarismo.