A revelação de que funcionários terceirizados de uma agência da Receita Federal no Rio de Janeiro teriam vendido declarações de Imposto de Renda de familiares de ministros do STF acende um alerta institucional grave.
Segundo depoimentos prestados à própria Receita, um vigilante terceirizado e um atendente cedido pelo Serpro admitiram ter comercializado informações sigilosas por R$ 250 por CPF. Eles afirmaram que a prática ocorria há anos e que não sabiam quem eram os alvos — apenas recebiam pedidos e repassavam os dados.
A Polícia Federal agora investiga quem comprou as informações e qual teria sido a finalidade do vazamento.
Se confirmadas as condutas, os envolvidos podem responder por violação de sigilo funcional, corrupção e crimes relacionados ao uso indevido de dados públicos. Mesmo sendo terceirizados, podem ser equiparados a servidores para fins penais.
Mais do que um episódio isolado, o caso expõe vulnerabilidades no acesso a sistemas sensíveis da administração pública. E a pergunta central passa a ser: quem estava por trás da encomenda dessas informações? (LCB)
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
