A repercussão internacional da decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas foi além da questão da segurança pública. Os principais veículos de comunicação do mundo trataram o anúncio como um fato de forte impacto político, destacando especialmente a atuação da família Bolsonaro junto ao governo Donald Trump e os possíveis reflexos sobre as eleições brasileiras.
O The New York Times enfatizou que a medida ocorreu após meses de pressão dos filhos de Jair Bolsonaro e poucos dias depois da visita de Flávio Bolsonaro à Casa Branca. O jornal apontou que a decisão pode reacender tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos e alimentar suspeitas de interferência americana no cenário eleitoral brasileiro.
Na mesma linha, o Financial Times observou que Washington já estudava a medida há algum tempo, mas ressaltou que o momento escolhido acaba fortalecendo politicamente Flávio Bolsonaro, que pretende disputar a Presidência. Para o jornal britânico, a decisão pode comprometer a recente aproximação entre os governos Trump e Lula.
Para a rede Al Jazeera, do Catar, essa política é um instrumento para expandir a influência dos Estados Unidos na região, em uma releitura moderna da antiga Doutrina Monroe.
Já a France24 destacou a divisão ideológica em torno do tema. Enquanto governos de direita da América Latina tendem a apoiar esse tipo de medida, governos de centro-esquerda, como os de Brasil e México, demonstram resistência. Na avaliação da emissora francesa, a decisão representa também um revés político para Lula, ao colocar a segurança pública e a relação com os Estados Unidos no centro do debate eleitoral brasileiro.
Em síntese, a imprensa internacional vê a medida como um duro golpe contra as finanças do crime organizado, mas também como um movimento carregado de implicações políticas, diplomáticas e eleitorais. O combate ao PCC e ao Comando Vermelho é amplamente defendido; o que divide opiniões é o impacto que a decisão pode ter sobre a soberania brasileira e sobre a própria disputa pelo poder no país.
“Trumpolice”: mídia mundial vê riscos para o Brasil
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