Caixa zero impede tarifa zero. Fracassa a “Operação Busão”

por Canal Cat

Uma das principais apostas políticas do governo Luiz Inácio Lula da Silva para 2026, a implantação da tarifa zero no transporte público urbano em todo o país, enfrenta dificuldades e já é tratada como inviável dentro do próprio Palácio do Planalto.
De acordo com interlocutores do governo, o principal entrave é fiscal: não há fonte de financiamento definida para sustentar uma política dessa magnitude em nível nacional. A proposta, que chegou a ser cogitada como parte de um pacote de medidas de apelo social, agora deve permanecer apenas no campo das intenções de campanha.
A ideia era clara: ampliar o alcance junto às camadas urbanas de menor renda, oferecendo gratuidade no transporte coletivo e, com isso, gerar impacto direto no cotidiano de milhões de brasileiros. No entanto, o custo elevado e a ausência de espaço no orçamento inviabilizam o avanço do projeto.
Queda de usuários agrava cenário
Outro fator que pesa contra a proposta é a mudança no perfil de uso do transporte público no país. Dados da Associação Nacional das Empresas de Transporte Urbano mostram uma queda expressiva na demanda ao longo da última década.
Entre 2013 e 2023, o número médio mensal de passageiros transportados caiu cerca de 45% — de 390 milhões para 214 milhões. A redução reflete transformações estruturais, como o avanço do transporte por aplicativos, o crescimento do trabalho remoto e a perda de competitividade do sistema coletivo em diversas cidades.
Embora os números representem passagens vendidas — e não indivíduos únicos —, eles indicam uma base relevante do eleitorado urbano que poderia ser impactada por políticas de mobilidade.
Promessa eleitoral sem lastro
Nos bastidores, a avaliação é de que a proposta de tarifa zero tinha forte componente eleitoral, mirando um público numeroso e sensível ao custo do transporte no orçamento familiar. Ainda assim, sem uma engenharia financeira viável, a chamada “Operação Busão” acabou esvaziada antes mesmo de sair do papel.
A tendência agora é que o tema permaneça como bandeira política, mas sem implementação concreta no curto prazo — um recuo que evidencia o desafio de conciliar promessas de impacto social com a realidade fiscal do país.
No fim das contas, a conta não fechou — e o ônibus da gratuidade ficou, ao menos por enquanto, na garagem.

Você também pode gostar

Focus Mode
-
00:00
00:00
Update Required Flash plugin
-
00:00
00:00