O câncer de colo do útero segue como um dos maiores desafios de saúde pública no Brasil. Dados recentes indicam que a doença provoca a morte de 19 a 20 mulheres por dia, um número considerado alarmante por especialistas e autoridades sanitárias.
Diante desse cenário, o Ministério da Saúde iniciou a substituição gradual do exame Papanicolau pelo teste molecular de DNA-HPV no Sistema Único de Saúde (SUS). A nova tecnologia é mais sensível e pode identificar alterações no organismo até 10 anos antes do exame tradicional, ampliando as chances de diagnóstico precoce e tratamento eficaz.
A preocupação não é apenas nacional. Em 2018, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estabeleceu metas globais para eliminar o câncer do colo do útero até 2030. Entre os principais objetivos estão:
Vacinar 90% das meninas até os 15 anos contra o HPV;
Rastrear 70% das mulheres até os 35 anos e novamente aos 45 anos com testes de alta precisão;
Garantir tratamento a 90% dos casos diagnosticados, tanto em lesões pré-cancerosas quanto em câncer invasivo.
Mesmo com os avanços, a projeção mundial é preocupante: as mortes podem chegar a 411 mil em 2030, contra 349 mil registradas em 2022.
O principal fator de risco para a doença é a infecção pelo HPV (papilomavírus humano), responsável pela maioria dos casos. O problema é agravado pelo fato de que, em estágio inicial, o câncer geralmente não apresenta sintomas, o que dificulta o diagnóstico precoce.
Especialistas reforçam que a prevenção ainda é a principal arma. Entre as medidas recomendadas estão:
Vacinação de meninas e meninos entre 9 e 14 anos contra o HPV;
Realização periódica de exames preventivos;
Uso de preservativos;
Adoção de hábitos saudáveis, como evitar o tabagismo e o consumo excessivo de álcool;
Consultas regulares ao ginecologista.
No Brasil, a vacina contra o HPV é oferecida gratuitamente pelo SUS desde 2013. Além de prevenir o câncer do colo do útero, o vírus também está associado a câncer anal e verrugas genitais, inclusive em homens, o que reforça a importância da imunização de ambos os sexos.
A combinação entre vacinação, diagnóstico precoce e acesso ao tratamento é vista como essencial para reduzir os índices da doença. Ainda assim, os números atuais indicam que o desafio permanece urgente e exige mobilização contínua da sociedade e do poder público.
Câncer de colo do útero mata até 20 mulheres por dia no Brasil
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