Uma possível decisão do governo do presidente Donald Trump pode abrir um novo foco de tensão diplomática com o Brasil — e ainda ganhar repercussão direta no cenário eleitoral.
Autoridades americanas avaliam classificar organizações criminosas brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho, como organizações terroristas.
Caso a medida seja oficializada, os efeitos seriam amplos. Pela legislação dos Estados Unidos, a designação permite congelamento de ativos financeiros, deportação de membros, restrições de visto e punições a qualquer pessoa ou instituição que forneça apoio material aos grupos.
O governo brasileiro reagiu com cautela. O chanceler Mauro Vieira tentou interceder junto ao secretário de Estado Marco Rubio, argumentando que as facções brasileiras se enquadram na categoria de crime organizado, e não de terrorismo.
Diplomatas brasileiros também temem que a medida possa abrir precedentes para ações unilaterais dos Estados Unidos na América Latina, sob o argumento de combate ao terrorismo.
Mesmo sem concordância formal do Brasil, Washington pode adotar a classificação com base em sua própria legislação.
O tema ganha ainda mais peso político porque já começa a tocar o ambiente eleitoral brasileiro. O ex-presidente Jair Bolsonaro recebeu autorização do ministro Alexandre de Moraes para se reunir, no dia 18 de março, com o assessor do Departamento de Estado Darren Beattie, responsável por políticas relacionadas ao Brasil.
Beattie mantém proximidade com o deputado cassado Eduardo Bolsonaro, o que aumenta a expectativa de que o tema entre de vez no debate político.
Se confirmada, a classificação das facções brasileiras como organizações terroristas poderá abrir uma nova frente diplomática, jurídica e eleitoral, ampliando ainda mais a pressão sobre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um momento já marcado por desgaste político e econômico.
Classificação do CV e PCC como terroristas deve agitar eleição
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