Algo mudou e não foi pouco. A pesquisa do Datafolha escancara: 54% dos brasileiros dizem não ter interesse em assistir ao Mundial. É o maior índice desde 1994. E mais: 31% afirmam que não pretendem ver nenhum jogo.
Não é só um número. É um sintoma. O país que parava para ver a Seleção agora muda de canal. E o mais curioso: nem a polarização política explica. Eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro demonstram o mesmo desânimo. O futebol, ao que parece, perdeu a capacidade de unir ou até de distrair.
A explicação é mais simples e talvez mais dura: falta encanto. A Seleção já não empolga como antes. Resultados ruins, atuações sem brilho e uma desconexão crescente com o torcedor esfriaram o que antes era paixão quase automática. O brasileiro sempre cobrou, mas antes acreditava. Hoje, duvida. Quando a crença vai embora, o interesse vai junto.
Há também um país mais cansado, mais pressionado pelo cotidiano. O futebol já não ocupa sozinho o espaço do entretenimento nem da identidade nacional. Divide atenção com tudo e perde para muita coisa.
O Mundial continua sendo o maior palco do esporte. Mas, no Brasil, já não é mais o mesmo espetáculo. Talvez o problema não seja a Copa e, sim, o que fizemos com o futebol e o que ele deixou de representar.
Copa sem clima: quando o futebol já não explica o Brasil
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