Datafolha: Lula, Flávio, tudo como dantes…

por Canal Cat

A manchete mais repetida neste sábado foi a do segundo turno: Lula 47%, Flávio Bolsonaro 43%. O problema é que esse número pouco acrescenta ao debate político, porque é exatamente o mesmo resultado da pesquisa anterior.

A verdadeira notícia está no primeiro turno.

Lula aparece com 41% das intenções de voto contra 31% de Flávio Bolsonaro. A diferença é de dez pontos. Mais importante do que isso: todos os demais candidatos somados alcançam apenas 15%.

Na prática, a pesquisa mostra que a eleição continua fortemente polarizada. O eleitorado permanece concentrado em dois polos, enquanto as alternativas seguem sem conseguir romper a barreira da irrelevância eleitoral.

Há outro dado que merece atenção. Lula subiu de 40% para 41%, enquanto Flávio permaneceu em 31%. Isso sugere que o desgaste provocado pelo caso Dark Horse e pelas ligações com Daniel Vorcaro, que atingiram o senador nas últimas semanas, ao menos por enquanto não foi revertido. Por outro lado, o episódio envolvendo Jaques Wagner aparentemente também não produziu impacto imediato sobre o presidente.

Aliás, o próprio período de coleta recomenda cautela. A pesquisa foi realizada exatamente nos dias em que a operação envolvendo Jaques Wagner veio a público. É provável que parte significativa do eleitorado sequer tivesse tomado conhecimento completo do caso quando respondeu ao Datafolha. O levantamento pode estar registrando apenas o início de uma reação que ainda será medida por pesquisas futuras.

Outro aspecto relevante é a rejeição. Flávio aparece com 48%, Lula com 46%. Os dois estão tecnicamente empatados dentro da margem de erro. Isso significa que ambos carregam um teto eleitoral elevado e encontram dificuldades semelhantes para ampliar suas bases.

Mas existe uma diferença importante entre intenção de voto e rejeição. Lula lidera a disputa por dez pontos no primeiro turno. Ou seja, mesmo apresentando rejeição semelhante à de Flávio, consegue transformar mais simpatia em intenção efetiva de voto.

A leitura final é simples: a eleição continua polarizada, Lula segue liderando com relativa folga o primeiro turno, Flávio conseguiu estancar perdas, mas ainda não recuperou o terreno perdido nas últimas semanas. Quanto ao impacto político do caso Jaques Wagner, os números divulgados hoje parecem insuficientes para medir seus efeitos reais.

Por isso, a pesquisa mais importante talvez não seja esta. Pode ser a próxima.

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