A decisão da Justiça do Rio de Janeiro de transformar em réus sete ex-assessores do gabinete de Carlos Bolsonaro reacende um velho capítulo da política brasileira: o das chamadas “rachadinhas”. Carlos não foi denunciado nem figura entre os réus do processo, mas isso não significa que a notícia seja politicamente irrelevante.
Em política, o passado raramente permanece enterrado. Ele pode ficar em silêncio durante algum tempo, mas basta um fato novo para que volte à superfície. E foi exatamente isso que aconteceu. Ao aceitar a denúncia do Ministério Público, a Justiça recolocou no debate público um tema que muitos consideravam encerrado.
O problema das investigações políticas não está apenas nas consequências jurídicas. Está, sobretudo, no impacto sobre a imagem. O eleitor comum nem sempre acompanha os detalhes dos processos, as diferenças entre investigado, denunciado ou réu. O que costuma permanecer é a lembrança de que houve suspeitas, investigações e acusações envolvendo determinado grupo político.
Para Carlos Bolsonaro, que busca uma vaga no Senado por Santa Catarina, a repercussão surge num momento delicado. Campanhas para o Senado são disputas muito personalizadas. O candidato precisa convencer o eleitor de sua credibilidade e capacidade de representação. Quando o debate passa a girar em torno de ex-assessores acusados de integrar um esquema de desvio de recursos públicos, o foco inevitavelmente se desloca.
Isso não significa, necessariamente, perda de votos imediata. O eleitorado mais fiel tende a relativizar ou mesmo rejeitar as acusações. Mas entre os eleitores independentes — aqueles que costumam decidir eleições — o desgaste pode ser maior.
A política tem uma regra não escrita: nada desaparece por completo. Escândalos, denúncias, investigações e controvérsias ficam guardados na memória coletiva, esperando uma oportunidade para reaparecer. E quando reaparecem, quase sempre trazem consigo uma pergunta incômoda: o passado foi realmente superado ou apenas estava adormecido?
Na política, o passado nunca morre. Às vezes, apenas espera o momento de acordar.
