O drama de FHC, o presidente que “consertou” o país

por Canal Cat

O Tribunal de Justiça de São Paulo aceitou, nesta quarta-feira (15), o pedido de interdição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. A decisão atende a uma solicitação da família, que apresentou laudos médicos apontando a evolução de um quadro de Alzheimer e consequente declínio cognitivo. Com isso, o economista Paulo Henrique Cardoso foi nomeado curador, passando a responder pelos atos administrativos e pelo patrimônio do ex-presidente.
O fato, embora jurídico, carrega um peso simbólico para o Brasil. FHC não é apenas um ex-chefe de Estado. É um dos principais arquitetos da estabilidade econômica do país. À frente do governo, liderou a implantação do Plano Real, que pôs fim à hiperinflação e devolveu previsibilidade à vida dos brasileiros, algo que hoje parece natural, mas que foi, à época, uma ruptura histórica.
Mais do que números, Fernando Henrique construiu uma visão de Estado baseada em responsabilidade fiscal, institucionalidade e diálogo. Foi um presidente que acreditou na força das instituições, no equilíbrio entre mercado e políticas sociais e na inserção do Brasil no cenário internacional com racionalidade e pragmatismo.
Intelectual respeitado, sociólogo de formação, sempre fez da política um espaço de reflexão e não apenas de disputa. Seu estilo, muitas vezes criticado por adversários, era justamente o que o diferenciava: a aposta no argumento, na construção gradual e no respeito às regras do jogo democrático.
A decisão judicial marca, agora, um momento de recolhimento. A figura pública dá lugar ao homem, à família, à fragilidade que alcança a todos, independentemente de cargos ou biografias.
Fica o legado. E ele é incontornável. Em tempos de instabilidade e incertezas, lembrar de quem ajudou a organizar a casa não é apenas justo. É necessário.

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