A educação superior e a pesquisa científica também estão em disputa no segundo turno presidencial. Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) apresentam propostas diferentes para o futuro das universidades brasileiras. Levantamento da revista Superinteressante, publicado no dia 15, comparou os programas de governo dos candidatos e ouviu especialistas sobre as consequências das medidas propostas.
Lula defende a ampliação das universidades públicas, a interiorização do ensino superior, o fortalecimento da pós-graduação e a recuperação dos investimentos em pesquisa. Pretende manter as universidades vinculadas ao Ministério da Educação (MEC), ampliar bolsas de estudo e estimular pesquisas estratégicas nas áreas de saúde, meio ambiente, tecnologia e desenvolvimento nacional.
Flávio Bolsonaro propõe transferir a administração do ensino superior para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, retirando-a do MEC. Defende maior aproximação das universidades com empresas, estímulo à inovação tecnológica e prioridade para pesquisas capazes de gerar produtos, empregos e renda. Também propõe ampliar a participação empresarial no financiamento da formação profissional.
Especialistas consultados pela revista reconhecem aspectos positivos nas duas propostas, mas apontam riscos. No programa de Lula, questionam os custos da expansão universitária e a ausência de soluções mais inovadoras. No de Flávio, alertam para o perigo de subordinar a pesquisa científica exclusivamente aos interesses econômicos imediatos. A discussão vai além da eleição: que universidade o Brasil deseja construir — uma instituição dedicada à formação humana e à produção do conhecimento ou prioritariamente voltada às necessidades do mercado? O desafio é conciliar essas funções.
