A cinco dias do segundo turno, o governo Lula antecipou o pagamento do Bolsa Família. Todos os beneficiários receberão os valores de outubro até quarta-feira, dia 21, quatro dias antes da eleição presidencial. A decisão também acompanha o reajuste de 15,04% do programa, elevando o benefício mínimo de R$600 para R$691, com média estimada de R$777 por família.
Pelo novo calendário, os beneficiários com NIS terminado em 1 recebem nesta segunda-feira, dia 19; os de final 2, na terça-feira; e todos os demais, na quarta-feira. O Ministério do Desenvolvimento Social justifica a antecipação como medida preventiva diante dos possíveis efeitos do super El Niño. A mudança será mantida em novembro e dezembro.
A justificativa oficial pode ter fundamento administrativo e social. Entretanto, a coincidência com a reta final da campanha presidencial desperta inevitáveis questionamentos. Lula disputa uma eleição apertada contra Flávio Bolsonaro e sabe da importância política do Bolsa Família. A antecipação, somada ao reajuste, chega justamente quando cada voto pode decidir o resultado.
O Bolsa Família é uma conquista social, não um patrimônio eleitoral de qualquer governante. Antecipar pagamentos não constitui, por si só, irregularidade eleitoral, mas, em plena campanha, o governo tem o dever de demonstrar que a decisão atende ao interesse público e não à conveniência das urnas. Afinal, política social deve servir ao cidadão, não ao candidato.
