A entrevista de Flávio Bolsonaro à TV Globo, nesta sexta-feira (16), deixou uma impressão pouco favorável. O candidato demonstrou desenvoltura, falou com segurança, mas fugiu de perguntas importantes, desviando frequentemente os assuntos para ataques ao presidente Lula. Criticar o adversário é legítimo. Entretanto, o eleitor quer saber o que Flávio pretende fazer pelo Brasil.
Na economia, anunciou cortes de despesas, redução da máquina pública e manutenção de benefícios sociais. Mas faltou explicar onde cortaria, quanto economizaria e como financiaria suas propostas. Também não foram convincentes os esclarecimentos sobre o filme Dark Horse e suas relações de financiamento. Quanto ao fim da reeleição, assumiu compromissos, mas deixou dúvidas sobre sua implementação.
Houve pontos positivos, como o compromisso de respeitar o resultado das urnas e a defesa da valorização do salário mínimo. Entretanto, prevaleceu a impressão de um candidato mais preparado para combater Lula do que para apresentar um projeto consistente de governo. Soube explorar o confronto político, mas perdeu oportunidades de esclarecer questões fundamentais.
Minha avaliação: Flávio não fez uma boa entrevista. Assim como cobrei de Lula respostas objetivas, cobro de Flávio. Afinal, não estamos escolhendo o melhor orador, mas o futuro presidente da República. O Brasil precisa de quem saiba governar, não apenas de quem saiba atacar o adversário.
