É velha a estratégia de tentar desacreditar a concorrência. No jornalismo, infelizmente, há quem confunda a legítima disputa pela notícia com a tentativa de destruir a credibilidade alheia. O método é conhecido: selecionam-se informações, levantam-se suspeitas e constrói-se uma narrativa que pode servir aos interesses de alguns, em prejuízo de todos. Principalmente do público, que tem direito à verdade.
A vítima da vez, nessa disputa de versões, é a CNN Brasil. Reportagem do ICL Notícias, baseada em mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro e de uma executiva do Banco Master, sugere tentativas de interferência na emissora. A CNN reagiu, colocou as cartas na mesa e apresentou sua versão. Esclareceu que Vorcaro nunca foi seu sócio, que o banco era anunciante e que não existe comprovação de perguntas previamente combinadas com seus jornalistas.
Há uma diferença fundamental entre o desejo de um empresário de influenciar um veículo de comunicação e a efetiva submissão desse veículo aos seus interesses. Uma coisa é a intenção; outra, a execução. Investigar relações comerciais é dever do jornalismo. Transformar possibilidades em certezas, sem provas suficientes, é ultrapassar a fronteira que separa a informação da insinuação.
O episódio merece reflexão. Nenhuma empresa jornalística está acima de questionamentos, nem a CNN, nem o ICL, nem qualquer outra, mas a liberdade de imprensa exige responsabilidade, rigor e respeito aos fatos. Quando veículos de comunicação passam a combater uns aos outros com as armas da suspeita e da desqualificação, quem perde não é apenas o concorrente. Perde o jornalismo. Perde a credibilidade da imprensa. E perde, sobretudo, a sociedade. (LCB)
